Meu Caminho de Santiago e suas magias (parte1)

By maio 2, 2016 15

 

Ah, meu Caminho de Santiago…tão mágico, tão verdadeiro e tão real!

 

Resolvi fazê-lo no fim do ano de 2000, quando tomando banho no Rio São Miguel, na Chapada dos Veadeiros, um pedaço de pau bateu em mim, e na mesma hora achei que seria perfeito para ser meu cajado se um dia fosse fazer o Caminho de Santiago…

Esse dia chegou 6 meses depois, quando meu filho foi fazer um intercâmbio. Me vi sozinha, e com uma oportunidade única de ficar um tempo fora, sem ninguém dependendo de mim.

(Desculpem a qualidade das fotos…câmera digital era artigo de luxo na época)

 

RIO SAOMIGUEL 1998

Chapada dos Veadeiros – cajado original achado no rio São Miguel

 

E lá fui eu, com o cajado da Chapada embaixo do braço, sem compromisso de fazer o Caminho de Santiago inteiro, ou de ter que ficar em albergues…afinal um hostalzinho seria bem melhor para quem não gosta de compartilhar seu sono.

Mas quem disse que foi assim? Logo você faz amigos e companheiros de caminhada e quando chega a noite, você tem vontade de continuar compartilhando experiências! E assim me vi dormindo em albergues, deixando para descansar de verdade nos hostais a cada 4 ou 5 dias de viagem e de albergue!

Mal cheguei em Saint Jean Pied de Port de trem (vinda de Lourdes na França, onde fui pedir proteção), bateu ansiedade e medo de não encontrar lugar para dormir logo no primeiro dia de caminhada. Então saí ventando, botei o pé na estrada e comecei meu Caminho em 28 de agosto de 2001. Acho que lá pelas 11horas.

 

 

Fiz o Caminho Francês, 800km em 33 dias de caminhada, saindo de San Jean Pied de Port na França e cruzando os Pirineus logo no primeiro dia. Ufa! 25 km de subida e descida.

 

Mapa do Caminho Francês

Mapa do Caminho Francês, saindo de Saint Jean Pied de Port no sudoeste da França

 

Depois de caminhar um pouco, mochila pesando, pensava comigo que eu “devia procurar um outro cajado”…estava percebendo que aquele que eu trouxera da Chapada dos Veadeiros era muito pesado, mas achei melhor não me desfazer dele até encontrar um cajado legal na floresta de Roncesvalles, no dia seguinte. Afinal dizem que o Caminho provê aquilo que você precisa!

Caminhava sozinha sob o sol forte das 13 horas em um agosto quente, aflita por não ver ninguém no Caminho, e sem achar nenhuma marcação que me garantisse estar no lugar certo.

 

CEBREIRO a TRIACASTELA 25.9

Marcações indicadoras de direção que você vai encontrando pelo Caminho

 

Resolvi perguntar. Vi uma casinha isolada, subi as escadas e bati. Atendeu um senhor que me ofereceu água e café, e depois dele me afirmar que a direção ela mesmo aquela, eu já ia partindo quando ele me pediu para esperar porque tinha uma coisa para mim?! Foi para dentro de casa e retornou com um cajado na mão, leve, firme, perfeito! Ganhar um cajado perfeito… do nada! Estando já eu com um na mão, e sem pedir nada? Só no pensamento?

Essa foi a primeira magia do Caminho! 

 

ASTORGA a RABANAL19.9

Já com o novo cajado: leve, firme e forte

 

continua em:

Meu Caminho de Santiago (parte3). A história do cajado

 

Todas as histórias incríveis do meu Caminho de Santiago

 

 

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2 Comentários
  • Paula Torres
    maio 5, 2016

    Nossa!!! Que D+, sua maravilhosa!!! Senti-me privilegiada estar na primeira foto com você!!! Te amo!!! Linda apresentação! Fotos maravilhosas!

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